"Minha querida Frankfurt, obrigada por me acolher. Agora eu preciso ir porque Munique espera para me surpreender.
Que Deus não me permita esquecer desse lugar e nem de tudo que vivi aqui. Que eu possa sempre reconhecer as pessoas que conviveram comigo e que a vida cruze caminhos com aqueles que invadiram meu coração. Que o novo não me amedronte e que o restante do meu caminho, seja bonito. Amém."
Despedindo do meu quartinho e desse solzinho que todos os dias entrava na minha janela..
é como se eu fosse ver essa paisagem sempre que eu abrir uma janela e lembrar desses dias..
Meus dias foram ficando comuns. Meus dias foram se tornando diferentemente iguais. Tinha felicidade em todos eles, felicidade todos os dias se torna comum.
Preciso escrever hoje para que não me esqueça dessa fase. Fiz esse blog também para sempre poder recorre-lo quando lembrar ou esquecer de alguma coisa aqui.
Com o passar do tempo, nos habituamos e mesmo que exista momentos raros e especiais no dia nós deixamos passar. Postei aqui, meus momentos inesquecíveis, minhas viagens (até agora), minhas descobertas do início, mas hoje preciso lembrar e escrever um pouco mais.
Antes de vir, pedi a Deus que me fizesse amiga para ter amigos, pedi para que ele providenciasse tudo antes da minha chegada e que fosse forte em todas dificuldades. É incrível como Ele me escuta com pedidos tão insignificantes perto de tanta coisa que acontece no mundo. Ele ouviu e atendeu um por um.
Ganhei amigos, pessoas que não quero esquecer nunca na minha vida.
Logo quando cheguei não podia imaginar o quão rápido esse tempo iria passar.
No meio desses 7 meses que vivi na minha pequena Bad Vilbel, aos arredores de Frankfurt, eu participei de tanta coisa! Passei por tanta coisa..
Por volta de novembro todos nós fomos aceitos em Universidades daqui e foi um alegria arrasadora. Lembro de choro no corredor, de vários abraços, abraços duplos, triplos.. multi-abraços. Na hora não ligamos se cada um fosse para um lugar, desde que, todos nós fossemos para algum lugar. Todos felizes.
Dezembro, Prüfung (prova). Tensão, medo, alemão, alemão, alemão.. Passamos todos. Mini-férias. Natal e Ano Novo.
Janeiro, tudo novo de novo. Só uma coisa não mudaria, meu lugar na sala de aula, meus professores e meus amigos.
Amigos, tiveram aqueles que nunca mudaram, tiveram os que se aproximaram e os que se afastaram. Mas sempre tive os que me fizeram companhia, os que me deram força e os que me deram momentos engraçados e felizes.
Fevereiro chegou sem nenhum clima de carnaval. Batalha por uma casa nova, novas angústias, novo Prüfung, mais dores de cabeça, mais cólica, mais TPM, mais choro (muito mais choro), mas, as pequenas felicidades de sempre.
Eu achei que isso tudo ia ser difícil de passar. Mas a prova no último nível foi a coisa mais fácil que fiz nesse mês. Mal sabia eu que o mais difícil de tudo que já havia vivido nessa terra antes desconhecida - e hoje, querida - seria os trágicos penúltimo e último dia de Frankfurt.
Dizer adeus nunca é fácil. E esses pra mim não foram diferentes. Um choro que virou a noite e não se interrompia. Se calava hora ou outra, mas nunca se interrompia. Convivi com 70 ou mais pessoas na mesma situação que a minha. É claro que cada adeus é diferente do outro, mas tive uma meia dúzia doída e um que lateja até hoje. Conviver todos os dias não é fácil. Houve-se mais sobre casamentos desastrosos do que felizes. Convivência é teste de resistência porque não existe ninguém igual à você no mundo e a única pessoa que você foi feito para conviver e suportar é você mesmo. E mesmo com essa convivência e TPM's cruzadas, a amizade entre vizinhas nunca mudou.
O 129 sempre ao lado do 130, ainda bem que foi assim. De todas, a que mais se parecia comigo, principalmente na facilidade para chorar, para gastar o dia todo e não fazer nada de útil, para deixar pra estudar em cima da hora, pra comer miojo 2h da manhã, mesmo o armário estando cheio de comida, simplesmente porque deu uma vontade de comer miojo, para amar, adorar, xingar, chorar, embirrar pelos Gui's da vida, pelos amores da vida.. para lamentar das estrias da vida.. celulites da vida.. barrigas da vida, para comer, para comer, para comer, para engordar e para comer de novo. Sempre ela. Sempre para isso e para uma porção de outras coisas.
"- Ami, queria que você soubesse que o que mais me doeu foi quando eu bati na parede do banheiro e não ouvi sua batida de volta."
Desde o começo sabíamos que esse dia chegaria e que precisaríamos dele para poder começar uma nova etapa, conhecer um lugar novo, e ganhar mais experiências. Muitas experiências, todas elas únicas.
De algumas coisas, nunca esqueceremos..
... nem de quem foi obrigado a olhar para nossa cara todos os dias, mesmo com cara de sono, fome, sono, muito sono, cara de "não aguento mais alemão!"...
(Doris)
(Nicole)
Deixei pra trás. Só o que não deixo, são as meia dúzia dos poucos e bons que me deram abraço forte e choraram comigo na primeira, segunda, terceira.. despedida.
Hoje, recomecei. Preciso recomeçar. Chão mais duro?!.. mais poeira na estrada?!.. Talvez. Não sei dizer. Ainda não sei dizer. Só sei em que acreditar. Minha ami dizia: "Deus nunca preparou nada de ruim pra mim, não vai ser agora."
Tô bem, to leve e preparada. Saudade dá uma espremidinha, mas já já ela se ajeita e acha seu lugar.
"Desistir… eu já pensei seriamente nisso, mas nunca me levei realmente a sério; é que tem mais chão nos meus olhos do que o cansaço nas minhas pernas, mais esperança nos meus passos, do que tristeza nos meus ombros, mais estrada no meu coração do que medo na minha cabeça." - Cora Coralina
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